A “Cascatinha” Não é Produto Turístico.

Muitas cidades querem desenvolver o Turismo Receptivo, porém , poucas conseguem atender seus objetivos. Em primeira instância, salvo melhor juízo, os maiores interessados no tema deveriam ser: transportadores para o destino turístico; agências de viagens receptivas; os profissionais do Turismo; os responsáveis pelos atrativos turísticos e eventos; bares e restaurantes; meios de hospedagem; comércio local; prefeituras municipais, entre outras organizações públicas e privadas do sistema turístico de um núcleo receptor. Entretanto, os equívocos começam a existir quando não existe a indispensável união para o aproveitamento dos atrativos turísticos de uma localidade. De repente, determinado interessado começa a defender aquela “cascatinha” maravilhosa como um grande atrativo turístico ignorando os conceitos mundiais dos produtos turísticos que determinam os somatórios dos aspectos geográficos, históricos, culturais., equipamentos e serviços turísticos para participarem do competitivo mercado do Turismo. Também existem regiões que não conseguem atender o mínimo dos quatros verbos indispensáveis para atender um visitante: atrativos para Visitar; locais para Comer e Dormir; lojas para Comprar. Convém salientar que existem localidades que possuem boas condições para o desenvolvimento do Turismo Receptivo por existir Ofertas de aspectos turísticos que precisam apenas de políticas públicas e privadas, organização setorial,estratégias, táticas e operações profissionais.Existem regiões que receberam verdadeiras dádivas representadas pelas suas riquezas naturais – localizações, praias, bosques, climas, flora, fauna,fósseis animais e vegetais, entre outras, capazes de atrair visitantes. Assim como, as demonstrações populares, os costumes,os hábitos,a gastronomia, os eventos civis e religiosos, entre outros. Infelizmente, por miopia mercadológica, observam-se as opções pelas soluções mais fáceis e demagógicas, alegando principalmente falta de recursos financeiros e humanos. Colocam apadrinhados políticos, comprometidos com suas ideologias, esquecendo o bem estar da comunidade e do verdadeiro impacto sócio-econômico-cultural que o fenômeno turístico pode causar. E assim, muda-se para continuar como está, perdendo-se boas oportunidades para o desenvolvimento do setor que gera bilhões em divisas e milhões de empregos. É o momento das lideranças públicas e privadas definirem seus planos governamentais para os próximos anos incluindo o Turismo Sustentável como alternativa para geração de emprego e renda. Caso tenham dúvidas, observem os modelos disponíveis nas principais cidades do mundo. Verifiquem as tendências dos mercados turísticos dentro de uma visão circular geográfica de 50,100, 200, 300 quilômetros; desenvolvam pesquisas com os visitantes e ofertantes de serviços turísticos; identifiquem quais os tipos dos visitantes que se quer receber e quais os tipos que chegam; confirmem os impostos pagos dos fornecedores de serviços turísticos; analisem os efeitos dos eventos na Economia local; confiram o desenvolvimento sócio-cultural das comunidades que recebem visitantes, entre outras análises setoriais.Existem milhares de livros sobre o tema, assim como bons alunos, ex-alunos, profissionais, professores, empreendedores, empresários, investidores e políticos com interesses no Turismo Receptivo. As uniões dos setores públicos e privados poderão determinar o sucesso ou o fracasso das ações ou omissões. O Turismo Receptivo merece apoio e investimento compatível com a visão desenvolvimentista responsável da sustentabilidade ambiental, econômica, cultural e educacional da comunidade do núcleo receptor. Chega de “achômetros” e amadorismo no setor. Respeitam-se todas opiniões contrárias.São reflexões. Podem ser úteis. Pensem nisso.

 

Abdon Barretto Filho 

                        Economista, Mestre em Comunicação,Professor

abdon@via-rs.com.br